Já pensou no que mais gostava para si neste Dia da Mãe?
O Dia da Mãe aproxima-se. Às vezes, o melhor presente para uma mãe é o descanso. Cliché? Talvez — mas é fundamental.
Num quotidiano marcado por múltiplas responsabilidades, o sono é frequentemente desvalorizado. No entanto, descansar não é um luxo: é uma necessidade básica de saúde e uma forma essencial de autocuidado.
Porque é que tantas mães dormem mal?
As mães estão frequentemente expostas a múltiplas exigências: responsabilidades familiares, profissionais e emocionais. Este acumular de funções traduz-se muitas vezes em noites interrompidas, dificuldade em adormecer ou sensação de sono não reparador.
No período pós-parto, por exemplo, as alterações do sono são especialmente frequentes, devido aos despertares noturnos do bebé, às mudanças hormonais e à adaptação emocional da maternidade.
Além disso, a chamada “carga mental” – a gestão constante de tarefas e responsabilidades familiares — mantém o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para adormecer.
O impacto de dormir pouco no dia a dia
Dormir menos do que o necessário não afeta apenas a noite – afeta todo o dia seguinte.
A privação de sono pode levar a:
- maior irritabilidade e instabilidade emocional
- dificuldade de concentração e tomada de decisões
- sensação de fadiga constante
- menor tolerância ao stress.
Mesmo uma noite de sono insuficiente pode ter impacto no desempenho cognitivo e no bem-estar geral, tornando o dia mais exigente e emocionalmente desgastante.
O sono como pilar da saúde
O sono desempenha um papel central na saúde física e mental. Durante o sono, o organismo recupera energia, regula funções metabólicas e consolida processos cognitivos essenciais, como a memória.
Quando o sono é cronicamente insuficiente ou de má qualidade, o equilíbrio do corpo e da mente fica comprometido, aumentando a vulnerabilidade ao stress e ao cansaço persistente.
Autocuidado sem culpa: descansar é essencial
Existe ainda a ideia de que uma “boa mãe” deve estar sempre disponível, colocando as suas próprias necessidades em segundo plano. No entanto, esta visão pode ser prejudicial.
O autocuidado não é um luxo nem egoísmo – é uma condição essencial para o equilíbrio físico e emocional. Cuidar do sono faz parte desse autocuidado, tal como a alimentação ou o descanso mental.
Uma rotina mais equilibrada e a gestão consciente de energia ao longo do dia ajudam não só a melhorar o sono, mas também a qualidade de vida em geral.
Pequenas estratégias que podem ajudar
Mesmo em rotinas exigentes, existem hábitos simples que podem melhorar a qualidade do sono:
- manter horários regulares de sono sempre que possível
- reduzir estímulos e ecrãs antes de dormir
- criar um ambiente calmo e confortável no quarto
- ajustar a alimentação ao longo do dia, evitando refeições muito pesadas à noite
- aproveitar momentos curtos de descanso durante o dia.
Pequenas mudanças consistentes podem ter impacto significativo na qualidade do sono.
Quando o cansaço deve ser valorizado
Há situações em que o cansaço deixa de ser apenas “normal” e deve ser avaliado com atenção, nomeadamente quando existe:
- dificuldade persistente em adormecer ou manter o sono
- fadiga constante ao longo do dia
- alterações emocionais prolongadas
- sensação de recuperação insuficiente mesmo após dormir.
Nestes casos, pode ser importante procurar apoio profissional.
Dormir melhor não é apenas descansar mais — é cuidar da saúde física, emocional e mental. Para muitas mães, este cuidado começa por reconhecer que o descanso não é opcional.
Neste Dia da Mãe, dê um presente a si própria e mentalize-se: descansar também é uma forma de amar — os outros e a si própria.
Saiba mais
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