Déjà vu: quando o «já vivi isto» se repete
Entrar num lugar pela primeira vez e sentir que já lá esteve. Ou ouvir uma conversa nova com a impressão de que já aconteceu. O déjà vu ocasional é comum, mas o que fazer quando esta sensação começa a repetir-se?
Déjà vu é uma expressão francesa que significa «já visto». Descreve uma sensação repentina de familiaridade perante uma situação que, tanto quanto sabemos, é nova. Habitualmente, dura apenas alguns segundos.
Porque acontece?
Ainda não existe uma explicação única para todos os episódios. Uma das hipóteses mais estudadas está relacionada com a memória: o cérebro pode reconhecer algo familiar na situação presente sem conseguir identificar a recordação que lhe deu origem.
Por exemplo, a disposição de uma sala nova pode fazer lembrar outro espaço, mesmo que não seja possível perceber qual. Surge então uma impressão curiosa: «parece que já vivi isto», apesar de saber que é a primeira vez.
“Será que já sonhei com este momento?”
O déjà vu pode ser tão convincente que leva algumas pessoas a perguntar se já sonharam com aquele momento, se estão perante uma premonição ou até uma memória de uma vida passada. São interpretações populares, mas o déjà vu, por si só, não demonstra nenhuma delas. Em estudos experimentais, a sensação de saber o que vai acontecer a seguir não correspondeu a uma maior capacidade de previsão.
E quando o déjà vu se repete?
Sentir déjà vu de vez em quando, durante alguns segundos e sem outros sintomas, geralmente não é motivo de preocupação. Mas, se os episódios se tornarem frequentes ou começarem a acontecer mais vezes do que era habitual para si, vale a pena falar com um médico.
Preste também atenção a sintomas que possam acompanhar essa sensação, como confusão, alterações da consciência, medo intenso ou outras sensações invulgares. Em alguns casos, o déjà vu pode fazer parte de uma crise epilética. Isso não significa que episódios repetidos indiquem, por si só, epilepsia: é necessária uma avaliação para compreender o que se passa.
Se procurar aconselhamento médico, pode ser útil anotar quando acontecem os episódios, quanto tempo duram e o que sente durante ou depois deles.
O déjà vu ocasional é comum. Quando passa a repetir-se com frequência, merece atenção – sobretudo se vier acompanhado de outros sintomas.
Saiba mais
- Aitken e colaboradores – revisão sobre familiaridade, novidade e déjà vu (Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2023)
- Cleary e colaboradores – estudo sobre semelhanças entre espaços e déjà vu (Consciousness and Cognition, 2012)
- Cleary e Claxton – estudo sobre a sensação de previsão durante o déjà vu (Psychological Science, 2018)
- Curot e colaboradores – estudo sobre a sensação de já ter sonhado algo (Brain Stimulation, 2018)
- Hadzic e Andersson – revisão sobre déjà vu ocasional e associado a crises epiléticas (Frontiers in Neurology, 2024)